12 Lições Sobre a Vida Dadas Por Alguém Que Viu 12 Mil Pessoas a Morrer

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12 Lições Sobre a Vida Dadas Por Alguém Que Viu 12 Mil Pessoas a Morrer

Depois de 44 anos à frente de um dos hotéis da morte, na Índia, Bhairav Nath Shukla está bem familiarizado com a morte.

Para os indianos, morrer na cidade santa de Varanasi significa atingir o Moksha ou “a salvação”, a libertação do ciclo da reencarnação, da vida e da morte.

Por esse motivo milhares de pessoas vão para aquela cidade para morrer e são acolhidas num dos “hotéis da morte” onde podem terminar os seus dias em paz, na companhia das suas famílias.

Bhairav Nath Shukla está à frente de um destes “hotéis” recebe todo o tipo de pessoas, algumas ainda um pouco longe da hora da morte e conversa com inúmeros deles nas longas horas do dia sentados no banco de madeira no alpendre que os protege do sol.

Bhairav Nath Shukla e o "hotel da morte" fotos Hinduism Today

Bhairav Nath Shukla e o “hotel da morte” fotos Hinduism Today

Este homem viu morrer mais de 12 mil pessoas, nesses 44 anos. Falou com milhares dessas pessoas e aprendeu algumas lições que não se esquiva em nos transmitir, acerca da vida.

Lição Número 1: Resolve os Conflitos

Bhairav conta a história dos dois irmãos desavindos que viviam na mesma casa mas que construíram uma parece. Um dia, um deles, muito enfermo, pediu que o seu irmão o viesse visitar. Ele veio e pediram perdão, perdoaram-se e o doente pediu ao outro para derrubar a parede. Depois de derrubada, entrou em serenidade e morreu em paz.

O truque, diz Bhairav, não é não ter conflitos, mas resolvê-los o mais rapidamente possível. Cada dia passado em conflito é um dia de paz perdido e, pensa bem: quando vale um dia de paz?

Lição Número 2: A Verdade da Vida é a Simplicidade

Quando tomam consciência de que vão morrer, as pessoas começam a não se interessar pelas coisas indulgentes, começando pela comida. Apreciam a simplicidade, em vez da exuberância e da indulgência. 

O segredo para ter mais é conquistar mais, mas o segredo para ser mais é contentar-se com menos.

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Lição Número 3: Não Foques Nos Traços de Personalidade Negativos nas Pessoas à Tua Volta.

Bhairav viu como ninguém que toda a gente tem um lado bom e um lado mau. Ele diz: “em vez de desprezar as pessoas más, aprende a ver o bom que têm dentro de si”. Manter amarguras e ressentimentos deriva do nosso foco na parte negativa das pessoas, porém essa parte todos temos, tu também.

Foca-te em vez disso na parte positiva e desfruta do bem que todas as pessoas têm para te dar, e dá o teu bem também a outras pessoas.

Lição Número 4: Procura e Aceita Ajuda de Outras Pessoas.

Ajudar é nobre, mas deixar-se ajudar é ainda mais. Ninguém sabe tudo e temos o dever de proporcionar a outras pessoas não somente o que nós podemos dar-lhes (a nossa ajuda) mas também o benefício de serem elas mesmas portadoras de ajuda (permitindo-nos deixar-nos ajudar).

É não somente um sinal máximo de generosidade mas também de inteligência pois não queremos seguramente deixar de lado todo o valor que outras pessoas adquiriram nas suas vidas e que nos será de tão grande utilidade.

Lição Número 5: Encontra a Beleza das Pequenas Coisas.

Quando uma pessoa fica pasmada a admirar uma música ou uma paisagem ou um detalhe de beleza ou de felicidade no rosto de alguém, está a aproveitar mais da experiência de viver do que qualquer outra pessoa.

Bhavan diz que passamos facilmente a vida tão ocupados a tentar ser ou ter aquilo que não somos ou que não temos, que nos esquecemos de apreciar o que está já ao nosso lado.

No mundo moderno chama-se midfulness, eu gosto de chamar atenção consciente e é a maior fonte de gratidão e felicidade que conheço.

Lição Número 6: Aceitação é Libertação.

A indiferença ou a negação ou mesmo o “evitar pensar” numa situação é causa de grande prisão. Assuntos por resolver e situações sem solução são parte da vida de toda a gente, porém os sábios aceitam qualquer situação em que se encontrem, aprendem a não lutar contra ela e, em seguida, focam-se em fazer o melhor possível dentro das circunstâncias em que se encontram.

Este desafio traz ao mesmo tempo, paz e tensão, aceitação e evolução e é a chave para a liberdade e o desenvolvimento da pessoa.

Lição Número 7: Trata Bem Todas as Pessoas, Independentemente do Estatuto Social.

Trata toda a gente da mesma forma, isso evita um monte de complicações, diz Bhairav, que considera esta lição como a lição-chave para ser bem-sucedido no seu trabalho de mais de 40 anos.

No seu “hotel” entram todo o tipo de pessoas, e se tratasse cada uma da forma como cada uma acha que deveria ser tratada (conforme a casta, o estrato social, a riqueza), seria impossível não ofender alguém ou não ser injusto para outra pessoa.

Tratar toda a gente da mesma forma, facilita muito os relacionamentos e cura rapidamente aqueles que se acham especiais em relação aos outros.

Lição Número 8: Quando Encontras o Teu Propósito de Vida, Faz Alguma Coisa a Respeito.

“Se foste abençoado com o conhecimento do que é o teu propósito na vida, age em conformidade” Bhairav

Saber o que vieste a este mundo para fazer e não agir é pior do que não saber. Porém muitas pessoas ficam pela intenção e não fazem nada. Todas se arrependem disso na hora da morte porque perderam a oportunidade de fazer realmente aquilo para o qual foram chamados.

Lição Número 9: Os Hábitos Tornam-se Valores.

Bhairav recomenda que ganhes bons hábitos porque eles tornam-se nos teus valores. São os teus hábitos que te tornam amável, honesto, justo, verdadeiro. Os valores derivam tanto da ação e como a ação dos valores.

Lição Número 10: Escolhe O Que Pretendes Aprender.

De entre tudo o que existe no mundo e que tem tanto de bom e positivo, escolhe aquilo que faz realmente a diferença para ti.

Dizer não a coisas boas, que não são boas para ti é um sinal raro de sabedoria, da mesma forma que o é o dizer sim a tudo o que é relevante para ti, por difícil que seja ou por mais coragem que exija de ti.

Diz Bhairav: “Muitas pessoas, às portas da morte, perdem a capacidade de comunicar tão facilmente como o faziam antes, e por isso voltam-se para dentro. Ali encontram as memórias das coisas que realmente as faziam felizes e voltam a reviver esses momentos com grande enriquecimento para as suas vidas atualmente.”

Lição Número 11: Sabe Que, Se Quebrares Relações Com Alguém, Não o Estás a Fazer Com Essa Pessoa Mas Somente Com os Pensamentos Que Tu Pensas Que Essa Pessoa Está A Ter.

Estar em acordo ou em desacordo com alguém não tem nada a ver com o amar ou não amar essa pessoa. A verdade é que mesmo que num determinado momento possas estar em oposição a um pensamento dominante na vida de uma pessoa ou a um tipo de ação dominante nela nesse momento, não significa que isso seja tudo o que a pessoa é.

Quando pensamos que sim, que isso é tudo o que a pessoa é, dividimo-nos e separamo-nos, porque queremos evitar os conflitos. 

Precisamos saber, porém, avisa Bhairav, que o amor supera todas essas diferenças superficiais e que a prova é que mesmo depois de muita separação pelos piores motivos podemos continuar a amar uma pessoa.

Muitas pessoas às portas da morte dão-se conta de que o amor está lá muito antes do ressentimento e que continua lá muito depois dele. Fazer as pazes, é ganhar tempo de vida em alegria e serenidade.

Lição Número 12: 10% do Que Ganhas Deverias Dar para Dharma (Ser de Utilidade Para os Outros)

Muitas pessoas começam a contribuir para aliviar o sofrimento dos outros depois de começarem a passar elas mesmas por situações de sofrimento. Vemos isso com celebridades vítimas de doenças ou cujos familiares foram vítimas de algum tipo de violência, e vemos isso no nosso dia-a-dia: entendemos o sofrimento dos outros quando passamos ou nos imaginamos a passar pelo mesmo.

Esta empatia, tão forte no final da vida, poderia enriquecer o nosso tempo se a usássemos normalmente como parte da nossa vida. 10% para aliviar o sofrimento dos outros é um bom número, fácil para ti e enorme para quem o possa receber.

Quando fundei o GAS, Grupo Ação Social fi-lo com a intenção de dar de volta tanta abundância que tinha recebido. Fi-lo com a responsabilidade de contribuir com os meus resultados financeiros, de tempo e de liberdade para a melhoria das condições de vida de outras pessoas que não tiveram as oportunidades que eu tive.

Hoje temos ações e simpatizantes contribuidores em todo o mundo e eu sei, de experiência própria, que há poucas coisas mais gratificantes que se possam fazer.

(Fontes de inspiração: LifecoachcodeCNNAlJazeeraIndependent. Foto principal: CNN)

 

Quando temos um testemunho tão grande de alguém como Bhairav Nath Shukla que durante 44 anos acompanhou mais de 12 mil pessoas no processo da morte, os escutou, lhes colocou perguntas e nos resume as suas lições de forma tão simples de seguir, temos de estar agradecidos.

Eu estou agradecido. Nestas lições revejo muitas coisas que posso melhorar na minha vida, e vejo muito caminho que já realizei. Vejo também uma responsabilidade por partilhar estes ensinamentos e por isso escrevi este artigo aqui: para que o leias, o possas partilhar e possa melhorar também a tua vida e a vida daqueles que te rodeiam.

Obrigado por partilhares e por passares estas mensagens que Bhairav Nath Shukla tem acerca da vida.

 

 

 


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3 opiniões acerca de “12 Lições Sobre a Vida Dadas Por Alguém Que Viu 12 Mil Pessoas a Morrer

  1. Incrível a história de vida desse senhor
    O que me chamou atenção,é o tratamento de igual para igual com todos os que passaram pela vida dele. e o cuidado de os escutar e também poder ajudar sem descreminação fazendo da sua vida uma linda partilha em contato com todos.enfim o desafio de ser um verdadeiro contribuinte para vida de outras pessoas
    achei o máximo 🙏

  2. Quando tomamos a consciencia de que esta nossa passagem, por este Mundo material, é algo que necessitamos para evoluir, espiritualmente, chegando ao final dessa viagem, e feito o balanço, á quem não tenha tempo de fazer esse balanço, e á quem tenha e não aceite faze-lo. Este senhor tem uma grande vivencia, a lidar com estes seres que desejam partir em paz. é uma grande honra e virtude, saber ouvir, e tambem saber o que dizer a estes seres, quando estam de partida. “havia uma tradição nos indios Apaches, quando chegavam a uma certa idade, iam para as montanhas sozinhos e deichavam-se ir no vento de encontro á outra vida, para alem desta”, é lindo, ter esta capacidade, este saber. Bem ajas Rui, por mais uma vez nos trazeres estes temas, que são de interesse universal! um fortes abraço, mendonça.